Conteúdo atualizado em7 de outubro de 2026às 22:39
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Chegam com a força de um trovão, despertando memórias antigas e trazendo de volta a grandeza de outros tempos. Em Matosinhos, regressa a atmosfera vibrante dos torneios medievais, dos pregões que enchem o ar e dos banquetes que celebram a vida. A envolvente do Mosteiro de Leça do Balio volta a erguer-se como cenário privilegiado da era dos Cavaleiros Hospitalários, que no século XII fizeram deste lugar o seu bastião e porto seguro para os peregrinos do Caminho de Santiago. É neste espírito de bravura e devoção que renasce a recriação “Os Hospitalários no Caminho de Santiago”, transformando este local num espaço vivo onde o passado é invocado.
Este ano, porém, a Igreja recolhe-se ao seu próprio silêncio, envolto no labor das obras de recuperação que lhe devolvem o fulgor. As suas pedras antigas entregam-se a um tempo de cuidado profundo, como quem respira antes de voltar a erguer-se em plenitude. Esta intervenção de restauro e conservação, necessária e reverente, requalifica este monumento nacional, preservando a sua génese, as suas características arquitetónicas e o valor histórico que o habita. Assim, mesmo temporariamente fechado ao público, a Igreja permanece farol de memória, grandeza e identidade.
Mas à sua volta, durante estes dias, o mercado medieval ganha vida, os cavaleiros enfrentam-se em duelos que ecoam como lendas e as encenações transportam-nos a episódios marcantes - como o célebre casamento real de D. Fernando I e Dona Leonor Teles. Mais do que uma viagem no tempo, este evento é uma travessia épica que recria a hospitalidade dos Cavaleiros de São João de Jerusalém e o ambiente vivido pelos peregrinos. Matosinhos reafirma-se como terra de passagem, proteção e destino, onde a Igreja do Mosteiro de Leça do Balio continua a ser a figura central e o local de quem procura história e cultura. Em paralelo, um programa científico e educativo aprofunda episódios que marcaram este espaço que recebeu reis, peregrinos e cavaleiros.
Atravesse connosco as portas do tempo, onde a história se ergue viva e onde cada visitante se torna parte desta epopeia em contínua construção.
Fernando Rocha
Vereador da Cultura